COMPORTAMENTO
O UFC torrou US$ 30 milhões na Casa Branca — e diz que recebeu o troco em atenção

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Na segunda-feira (3), a TKO — dona do UFC — contou aos investidores que o UFC Freedom 250, o evento realizado no jardim da Casa Branca em junho, fechou com prejuízo de cerca de US$ 30 milhões. Em poucas horas, o número virou manchete de fracasso mundo afora.
Só que o mesmo balanço diz outra coisa. No trimestre, o UFC faturou US$ 535,7 milhões, contra US$ 415,9 milhões um ano antes — alta de 29%. A margem caiu de 59% para 52%, e a própria empresa credita a queda ao evento: "sem o Freedom 250, as margens teriam subido na comparação anual", diz o release.
O grosso da alta, aliás, veio de outro lugar: direitos de mídia renderam US$ 64,7 milhões a mais, efeito do contrato de US$ 7,7 bilhões por sete anos com a Paramount, em vigor desde janeiro. Mas são outras duas linhas que contam a história do evento. Patrocínio e marketing subiram US$ 59 milhões, alta que o release credita ao Freedom 250. E a bilheteria caiu US$ 10,7 milhões — porque bilheteria não houve, além de um evento numerado a menos no trimestre. "A gente não vendeu ingressos e, portanto, não registrou receita de eventos ao vivo", disse o CFO Andrew Schleimer. Não foi público que faltou: foi ingresso que nunca existiu. O card saiu exclusivo no Paramount+.
O prejuízo também não era novidade. Em fevereiro, o presidente da TKO, Mark Shapiro, já tinha avisado aos investidores que a empresa não lucraria ali: "hoje, a gente vê como US$ 60 [milhões] compensados por US$ 30 [milhões]". O número de agosto confirma a projeção de fevereiro — não a desmente.
Do outro lado do balanço está a moeda que a empresa diz ter recebido: mais de US$ 1 bilhão em earned media value e 25 novos parceiros de marketing, segundo o próprio Shapiro — cifras da TKO, sem verificação independente. "Foi um sucesso estrondoso para a nossa empresa, para a marca UFC e para o esporte", completou o CEO Ari Emanuel.
E o nó está aí. Uma leitura diz que US$ 30 milhões são US$ 30 milhões, e que métrica de exposição é o tipo de número que justifica qualquer gasto depois de feito. A outra diz que a perda foi orçada, comunicada e contida, e que o retorno estava em outro lugar desde o começo.
O que não dá é somar os dois na mesma coluna. Um é caixa. O outro é atenção.
Você aceitaria esse troco?