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Quando o Mundial vira itinerário: a turnê que Shakira montou em cima da Copa

A.RICARDO / Shutterstock.com
Seis dias depois de cantar no intervalo da final da Copa, Shakira encerrou a etapa norte-americana da sua turnê. Foi no sábado, 25 de julho, no Jim Whelan Boardwalk Hall, em Atlantic City: duas horas, 25 músicas e cerca de 15 mil pessoas, com os dois hinos mundialistas dela no mesmo setlist — "Waka Waka", de 2010, e "Dai Dai", deste ano —, segundo a resenha do Philadelphia Inquirer. A etapa tem nome próprio: Las Mujeres Ya No Lloran World Tour: World Cup Edition.
O detalhe está no calendário. "Dai Dai" saiu em 15 de maio. Em 11 de junho, Shakira fechou a cerimônia de abertura no Azteca cantando a música com Burna Boy. Dois dias depois começava a etapa americana, em Los Angeles, passando por cidades-sede do torneio. Em 19 de julho veio o show do intervalo da final, no MetLife, ao lado de Madonna, BTS, Justin Bieber e do próprio Burna Boy, com quem repetiu "Dai Dai". O encerramento chegou seis dias depois. Não foi uma artista aparecendo num torneio: foi uma etapa inteira desenhada em cima dele.
Tem um dado de escala que costuma passar batido. Em 2025, a passagem de Shakira pelos EUA foi de estádios; a de 2026 foi de arenas fechadas. A conta de fãs @ShakiraMedia anunciou mais de 1 milhão de ingressos vendidos no país — número sem confirmação da promotora nem do Boxscore da Billboard, e referido a um formato diferente do anterior.
Os totais fechados da turnê são de outro corte: US$ 421,6 milhões e 3,3 milhões de ingressos vendidos nos primeiros 86 shows, cifra divulgada em abril de 2026, antes das etapas de junho e julho. É a turnê latina mais lucrativa da história pelo Guinness. E "Dai Dai", assinada por seis compositores — entre eles Ed Sheeran —, tem os royalties da artista destinados ao FIFA Global Citizen Education Fund.
O próximo capítulo troca de escala outra vez. "Europa" são onze noites em Madri, no Estadio Shakira, recinto temporário para mais de 50 mil pessoas por noite, entre 18 de setembro e 11 de outubro. Depois disso, listagens da indústria apontam duas datas avulsas em novembro — Abu Dhabi, dia 21, e as Pirâmides de Gizé, dia 28 —, ainda sem confirmação na agenda pública da Live Nation, que termina em Madri.
E o Brasil, que abriu a turnê no Rio em fevereiro de 2025 e viu o pico em Copacabana em 2 de maio deste ano, com 2 milhões de pessoas segundo a prefeitura, não tem mais nada marcado neste roteiro.
Dá para ler como sincronia cultural ou como a maior campanha de marketing do torneio. As duas leituras cabem no mesmo calendário. Qual delas você compra?