ESPORTE
O plano saiu da mesa. O presidente ficou.

Doha Stadium Plus Qatar, CC BY 2.0 via Wikimedia Commons
Um número tomou conta dos perfis de futebol no fim de semana: US$ 30 milhões por ano. O detalhe que quase não viajou junto é que o plano capaz de gerar esse salário já tinha sido enterrado 24 horas antes.
Na sexta-feira (31), Infantino anunciou a retirada do FIFA Forward Enterprise, a subsidiária que venderia uma fatia minoritária dos direitos comerciais da Copa a investidores privados. O recuo veio depois de a Uefa votar, na quinta (30), pelo boicote às competições da Fifa caso o plano seguisse de pé. A Concacaf rejeitou no mesmo dia; a confederação asiática, no dia seguinte. Juntas, as três reúnem 143 das 211 associações filiadas — acima da maioria necessária para travar qualquer coisa.
No sábado veio o número. O The Times, pelo repórter Martyn Ziegler, publicou que a ideia era Infantino comandar a nova empresa depois da presidência, com salário-base de US$ 30 milhões por ano, antes de bônus. A informação parte de denunciantes internos. Infantino já havia dito publicamente que não se enriqueceria com o projeto; sobre o valor em si, não há manifestação pública da Fifa.
Comparar com o que ele ganha hoje é menos direto do que parece. A remuneração declarada em 2025 foi de 4,8 milhões — só que aí já entram salário-base e bônus, e as fontes divergem se em dólares ou em francos suíços. O número do The Times é só a base.
O plano morreu. A conta política, não. A Uefa afirmou no sábado ter perdido a confiança em Infantino e, segundo o Lance!, já prepara um movimento para forçar a saída, com membros do Conselho pedindo reunião extraordinária. Javier Tebas, da LaLiga, publicou um texto com título sem rodeio: Infantino não deve continuar.
Os outros 68 votos — onde estão a Conmebol e, com ela, a CBF — são a margem que sobra para o presidente. Até agora, nenhuma das duas se pronunciou.
A eleição está marcada para o 77º Congresso da Fifa, em março de 2027, no Marrocos, e Infantino segue como único candidato formalizado. Se a cadeira vagar antes, quem assume interinamente é o vice-presidente Shaikh Salman bin Ebrahim Al Khalifa, presidente da confederação asiática, segundo o Lance!.
Uma semana bastou para montar e desmontar a maior operação comercial da história da entidade. Desmontar o resto costuma levar mais tempo. A gente segue de olho — você acha que ele chega em março?