POLÍTICA
A primeira mulher ELEITA presidente do Peru — e esse "eleita" muda tudo

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Nesta terça (28/7), Keiko Fujimori assumiu a presidência do Peru para o mandato 2026–2031. Muita gente repostou a notícia com a mesma frase: "a primeira mulher presidente do país". Só que aí mora o detalhe — a versão correta é "primeira mulher eleita", e essa palavra não é enfeite.
O Peru já teve uma mulher no cargo: Dina Boluarte, que assumiu em 2022 como vice de Pedro Castillo depois da queda dele e governou até ser destituída pelo Congresso, em outubro de 2025. Ela nunca foi eleita — chegou por sucessão constitucional. Fujimori é a primeira escolhida no voto. A diferença é sutil no texto e enorme no significado, e vários portais tropeçaram nela.
E foi eleita por pouco. Segundo o conteo da ONPE, confirmado na proclamação do JNE no início de julho, foram 50,135% contra 49,865% do rival Roberto Sánchez — uma diferença de cerca de 49,6 mil votos num país com mais de 18 milhões de válidos. Metade contra metade, na prática.
O dado que quase ninguém conta é a rotatividade. Numa década, o Peru trocou de presidente entre oito e dez vezes, dependendo de como se conta (as fontes divergem no número). Só a sequência recente já diz muito: Castillo caiu em 2022, Boluarte foi destituída em 2025, José Jerí assumiu no interinato em outubro daquele ano e veio uma sucessão de interinos até a posse — a faixa foi entregue pelo presidente do Congresso. Fujimori é a primeira, desde 2021, a começar um mandato saído das urnas.
Simbolismo teve de sobra: é o mesmo 28 de julho em que o pai dela, Alberto Fujimori, assumiu há 36 anos. Mas a data não foi escolhida — 28 de julho é o dia constitucional de posse no Peru, que cai nas Fiestas Patrias.
No fim, é uma frase que viajou pelo feed mais rápido do que o contexto que ela pede. E esse contexto cabe numa palavra: eleita.