COMPORTAMENTO
Onde termina o entretenimento e começa o assédio? O reality de Viih Tube virou caso do MPT

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Um reality feito em casa por influenciadores foi parar na mesa do Ministério Público do Trabalho — e o que está em jogo não é mau gosto, é a lei. O MPT em São Paulo abriu inquérito para apurar irregularidades trabalhistas em "As Patroas", série em que Viih Tube e o marido, Eliezer, colocaram os próprios funcionários da casa para competir por dinheiro. Segundo o órgão, tomou conhecimento do caso pela imprensa.
A resposta institucional veio rápida. Em 1º de julho, o TST publicou no Instagram um alerta que colou no debate — "Humilhação não é entretenimento. A exposição de empregados e empregadas a situações vexatórias pode caracterizar assédio moral" —, sem citar diretamente o casal. E é aí que está a distinção que muita gente pulou: o MPT não investiga se o programa foi de bom ou mau gosto, e sim se houve assédio moral e exposição incompatível com a dignidade do trabalhador. Categorias jurídicas, não de opinião.
O ponto sensível é o vínculo. Os participantes não são anônimos que se inscreveram: são empregados que dependem financeiramente de quem filma e pontua. Segundo a apuração, o formato previa prêmios por prova, de R$ 1.000 a R$ 3.000, e um valor final de R$ 20 mil. O trabalho doméstico no Brasil tem regras próprias — jornada, uso de imagem, consentimento —, e é esse conjunto que um inquérito desse tipo tende a olhar.
A dupla reagiu reposicionando o material como uma crítica à escala 6x1 e à precarização, segundo o InfoMoney — releitura que veio depois da repercussão, não no lançamento, em 30 de junho. Na sequência, houve audiência de urgência em Barueri, no dia 3, e as contas de Viih Tube no YouTube e no TikTok saíram do ar; o Instagram já estava desativado desde o dia anterior. Dias depois, ela reativou os perfis.
Até agora, não há resolução pública: sem TAC assinado, sem multa e sem pedido de desculpas confirmados. O inquérito está no começo — e a pergunta que ele levanta é menos sobre um reality e mais sobre onde o entretenimento encosta no direito do trabalho.
Fuentes: CNN Brasil (inquérito do MPT-SP / audiência em Barueri / cifras), Band e Poder360 (post do TST), InfoMoney (defesa da dupla e escala 6x1).