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Elon Musk prometeu uma Odisseia "historicamente exata" — aí a internet lembrou do ciclope

Arda Savasciogullari / Shutterstock.com

Elon Musk anunciou na quarta (22/07) que o Grok Imagine, gerador de vídeo da sua xAI, vai fazer até o fim do ano um longa-metragem da Odisseia "historicamente exato e fiel à arte de Homero". O post veio com um curta de três minutos feito na ferramenta — que, na real, foi publicado por outro usuário — e já passou de 8 milhões de visualizações.

É o capítulo mais recente da campanha de Musk contra a Odisseia de Christopher Nolan, que ele vinha criticando desde o início do ano por escolhas de elenco. Só que a promessa esbarra num detalhe que quase toda a imprensa apontou: a Odisseia é ficção. O poema atribuído a Homero, de cerca do século VIII a.C., tem ciclope, sereias e uma feiticeira que transforma marinheiros em porcos. Cobrar "exatidão histórica" de um mito, como resumem os próprios historiadores, é uma contradição já na largada.

Enquanto isso, o filme de Nolan (Universal), lançado em julho, estreou como sucesso: US$ 264,1 milhões no fim de semana de abertura global, superando em três dias o orçamento de US$ 250 milhões.

No meio da confusão, uma correção que também virou assunto: ao contrário do que circulou, Elliot Page não interpreta Aquiles, e sim Sinon — personagem que nem aparece na Odisseia, mas na Eneida, de Virgílio. E o tal curta do Grok não recria a obra: troca Odisseu e Calipso por avatares gerados por IA. Como o Grok Imagine é o próprio produto de Musk, a promessa funciona também como propaganda — e com ceticismo técnico de sobra sobre entregar um longa coerente feito por IA em poucos meses.

Dá pra ser "fiel à história" quando a história tem um ciclope? Essa a internet já respondeu.

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