ESPORTE
LeBron cortou 93% do salário, mas quem fez a conta foi o teto da NBA

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LeBron James vai jogar a próxima temporada pelo Philadelphia 76ers ganhando US$ 3,88 milhões. Pelos Lakers, na temporada passada, ganhou US$ 52,63 milhões. A queda de 92,6% é, segundo o HoopsHype, o maior corte salarial já registrado na história da NBA. O acordo foi acertado em 24 de julho — confirmado por Rich Paul, agente do jogador, a Shams Charania (ESPN) — e oficializado no dia 27.
Esse é o número. A parte que a manchete não conta: o Philadelphia não tinha como pagar mais.
A gente foi olhar a planilha. O time está preso ao primeiro apron — o limite de US$ 209 milhões que, uma vez cruzado, trava as movimentações do elenco inteiro — e ele virou teto duro para os 76ers justamente por terem usado a exceção de nível médio, dividida quase inteira entre Dean Wade e Anfernee Simons. Antes de assinar com LeBron, sobravam US$ 3,4 milhões até esse limite. Não dava nem para o mínimo de veterano.
Para caber, o clube precisou abrir espaço dispensando Dalen Terry, que tinha contrato sem garantia. A exceção bianual, a outra saída possível, já tinha ido para Ariel Hukporti. Ou seja: o mínimo era literalmente a única oferta que aquele elenco comportava.
E fora dali não sobrava muito mais. Em levantamento publicado em 10 de julho, Bobby Marks e Brian Windhorst (ESPN) mapearam os seis times na disputa: nenhum tinha espaço salarial de verdade, e a maior proposta possível no mercado inteiro era a do Miami Heat, perto de US$ 7 milhões. O corte era inevitável — o tamanho dele, não.
A letra miúda muda o tamanho da conta. Não é um salário solto de um ano: são dois anos e US$ 7.946.884 garantidos, segundo o Spotrac, com opção do jogador na segunda temporada e um trade kicker de 15% — bônus se ele for trocado. E o salário da NBA é a menor fatia do bolo: entre maio de 2025 e maio de 2026, LeBron faturou US$ 137,8 milhões, dos quais US$ 85 milhões fora de quadra, segundo a Forbes. Os 92,6% incidem sobre menos de 40% da renda anual dele.
Nada disso apaga a decisão. Aos 41 anos, com o quinto anel como motivo declarado — "ainda quero me sacrificar", escreveu no comunicado do dia 24 —, ela existe. Só muda o que ela mede. O recorde anterior, aliás, é de 2023: Russell Westbrook cortou 91,9% para assinar com os Clippers. "Histórico", aqui, tem três anos de idade.
O que a conta mostra é um sistema que transforma o jogador mais bem pago da história no melhor negócio do offseason. Você leria esse número do mesmo jeito sabendo disso?