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O filme sobre a operação que enganou Hitler sumiu de uma mesa de escritório da Netflix

nicolas genin, CC BY-SA 2.0 <https://creativecommons.org/licenses/by-sa/2.0>, via Wikimedia Commons
Um thriller inédito sobre a operação que enganou a inteligência nazista na Segunda Guerra saiu de uma mesa de escritório da Netflix em Los Angeles — e virou um processo de ao menos US$ 105 milhões. O roteirista, produtor e financista suíço Simon Afram e sua empresa, a Op-Fortitude, acusam a plataforma de ter comprometido a venda de "Fortitude", dirigido por Simon West e estrelado por Nicolas Cage, com Ben Kingsley e Ron Perlman no elenco. A ação foi protocolada em tribunal federal da Califórnia em 29 de julho (data da cópia da queixa obtida pela E! News).
A linha do tempo, segundo a ação: em dezembro de 2025, executivos da Netflix demonstraram interesse em comprar o filme; em junho, pediram um corte de trabalho para avaliação interna. No dia 15 de junho, um produtor associado entregou o disco em mãos no escritório da empresa, no Sunset Bronson Studios. Avisou verbalmente que o DCP — o pacote usado para entregar filmes para exibição — estava sem criptografia e pediu que os arquivos fossem apagados depois da sessão. Em 25 de junho, um e-mail de um executivo da Netflix informou que vários discos tinham sido furtados das mesas do escritório. Um deles tinha "Fortitude".
A Netflix contesta. Em nota, a empresa diz que não assume o risco pela perda de um filme entregue sem as proteções padrão da indústria e lembra que não detém os direitos de "Fortitude" — era uma compradora em potencial avaliando material de terceiros. Afirma ter investigado o caso e oferecido monitorar sites de pirataria, e diz ter deixado de compartilhar detalhes da apuração porque os advogados de Afram teriam tentado extorquir dinheiro — exigindo de cara US$ 165 milhões pelo filme em vez de negociar de boa-fé (traduções nossas).
No meio dos dois relatos está uma discussão que quase nunca aparece: de quem é o risco quando um filme viaja dentro de um HD. A produção alega ter investido mais de US$ 45 milhões e sete anos, e que o furto destruiu a exclusividade — o ativo que sustenta o preço de um inédito. A Netflix aponta que o padrão do setor é link protegido ou DCP criptografado com chave. Segundo fontes da empresa citadas pela Variety, não há sinal de que o filme tenha vazado; não há confirmação independente disso nem decisão judicial no caso. Cage não é parte no processo.
Quando um filme inédito troca de mãos num disco, quem responde pelo disco?