ESPORTE
A FIFA quis vender um pedaço do negócio da Copa — e 96 federações responderam não

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A Uefa anunciou nesta quinta-feira (30) que suas 55 federações não vão disputar nenhuma competição da Fifa enquanto estiver de pé o plano de vender uma fatia do negócio da Copa do Mundo a investidores privados. A decisão saiu por unanimidade, em reunião de emergência. Horas depois, a Concacaf e suas 41 federações também rejeitaram a proposta. São 96 associações contra no mesmo dia.
O plano tem nome: Fifa Forward Enterprise. É uma subsidiária comercial que passaria a administrar os ativos da Copa masculina, da Copa feminina e do Mundial de Clubes. A Fifa continuaria organizando os torneios. O que mudaria de mãos é uma participação minoritária na empresa que explora esses direitos. Não é "vender a Copa", como circula por aí — mas também não é pouca coisa.
A estruturação é do J.P. Morgan. Segundo apuração do Financial Times, a Thrive Eternal, de Joshua Kushner, negocia liderar o grupo investidor. A Fifa não citou investidores no anúncio.
As cifras vêm de reportagens sobre documentos internos: a Fifa não publicou prospecto. Fala-se em avaliação de US$ 20 bilhões e na venda de uma fatia de até cerca de 20%, que renderia algo perto de US$ 4,2 bilhões. Para as federações, a conta é outra. Seriam US$ 20 milhões imediatos para cada uma, e até US$ 86 milhões acumulados ao longo de 12 anos. O prazo para a votação das 211 associações é 19 de setembro.
E aqui está o detalhe que os prints não contam: a reclamação não é só contra o dinheiro. É também contra o método. Uefa, Concacaf e a AFC, que reúne 47 federações asiáticas, convergem na falta de consulta prévia e no prazo curto demais para uma decisão desse tamanho. Mas a Uefa vai além e exige o abandono total do plano. "A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento", diz o comunicado, em tradução dos veículos brasileiros. Infantino já tinha defendido a proposta na véspera, em vídeo dos canais oficiais da Fifa: é "uma oportunidade, não uma obrigação".
O Brasil está no meio disso sem ter dito nada. A Copa do Mundo Feminina de 2027 é aqui, com 11 vagas europeias. CBF e CONMEBOL não se pronunciaram publicamente até o fechamento deste texto. CAF e OFC ainda vão avaliar o assunto em reuniões já marcadas. E o primeiro teste real vem antes: o Mundial Feminino Sub-20 na Polônia começa em 5 de setembro, duas semanas antes do prazo.
Boicote anunciado não é boicote executado. Mas 96 federações no mesmo dia é um número que ninguém tinha visto.
De quem é a Copa do Mundo, afinal?