ESPORTE
A FIFA disse que a Copa foi limpa; um monitor independente levantou sete alertas

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Dias depois do fim da Copa 2026, dois órgãos de integridade esportiva chegaram a conclusões opostas sobre o mesmo torneio. Na terça, a Força-Tarefa de Integridade da FIFA declarou a competição impecável: nenhuma atividade de apostas suspeita nem indício de manipulação em nenhum dos 104 jogos. Na quarta, o Grupo de Copenhague — órgão independente ligado ao Conselho da Europa — apareceu com sete "alertas amarelos".
Antes de virar "escândalo", uma distinção que muda tudo. Um alerta amarelo não é prova de manipulação: é o nível mais baixo de sinalização, indica que algum indicador merece um olhar mais atento e pede exame posterior. O próprio grupo informou que nenhum alerta laranja ou vermelho — os graus mais sérios — foi emitido.
Segundo o The Athletic, que noticiou os achados, o grupo monitorou os 104 jogos, colocou 15 partidas sob vigilância reforçada (sobretudo na última rodada da fase de grupos) e analisou 12 controvérsias de integridade. Entre os episódios citados: o cartão vermelho tardio de Themba Zwane (África do Sul) contra o México, aos 84 minutos após revisão do VAR no jogo de abertura; mais de US$ 4,8 milhões apostados na Polymarket na hipótese de a Espanha não vencer Cabo Verde, antes do 0 a 0; e uma longa checagem de VAR que anulou um gol de Ferran Torres contra a Arábia Saudita.
Há ainda o caso Folarin Balogun (EUA), cuja suspensão de um jogo foi revertida após intervenção do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (a FIFA confirmou a liberação do jogador em 5 de julho) — e a Polymarket chegou a abrir um mercado sobre essa possível reversão, o único do tipo apesar dos 14 cartões vermelhos anteriores no torneio. O Grupo de Copenhague pediu formalmente à FIFA uma explicação por escrito sobre esse ponto.
O pano de fundo é o volume: o grupo estima cerca de US$ 240 bilhões apostados na Copa 2026, quase o dobro do Catar 2022 — em parte porque o torneio saltou de 64 para 104 jogos. Especialistas ouvidos pela imprensa ponderam que, num universo desse tamanho, alguns alertas são quase estatística. A FIFA, que tem FBI, INTERPOL e Sportradar na sua força-tarefa, mantém que não houve manipulação.
Por enquanto, o que existe é uma divergência entre dois órgãos — não uma investigação criminal nem manipulação confirmada. O relatório completo do Grupo de Copenhague ainda vai sair, e a resposta da FIFA sobre o caso Balogun é o próximo capítulo. Dá pra acompanhar sem transformar "alerta" em "condenação"?