COMPORTAMENTO
As cidades dos EUA bancaram a Copa. Agora correm atrás dos US$ 11 milhões que a FIFA prometeu de boca

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A Copa acabou em 19 de julho. Dezessete dias depois, onze cidades americanas ainda estão atrás de um cheque.
Segundo o The Athletic, que publicou o caso nesta terça-feira (4), integrantes da alta cúpula da FIFA garantiram verbalmente às sedes dos Estados Unidos uma "contribuição de legado" de US$ 1 milhão para cada uma — US$ 11 milhões no total, destinados a minicampos e projetos sociais. A promessa teria sido reiterada em reuniões, contam quatro executivos de comitês organizadores que falaram sob anonimato. Nenhuma cidade recebeu. Procurada, a FIFA optou por não comentar.
Vale parar no detalhe que a manchete engole: não há anúncio público, documento conhecido nem cronograma de pagamento. Não é uma dívida registrada — é um compromisso relatado. A diferença entre "não pagou" e "nunca assinou" não é pequena.
O que está registrado é o resto da conta.
Kansas City declarou US$ 86,8 milhões de dinheiro público: US$ 42,5 milhões do estado do Missouri, US$ 28 milhões do Kansas, US$ 14,8 milhões da prefeitura e mais US$ 1,5 milhão de outras fontes governamentais. O Missouri ainda abriu mão do imposto sobre venda de ingressos, deixando de arrecadar pelo menos US$ 15,6 milhões. E isso é só o que o comitê local declarou. Um levantamento da KSHB, emissora local, chega a US$ 248 milhões ao somar o dinheiro federal (US$ 79,4 milhões) e uma contagem mais larga do gasto estadual — a reforma do Arrowhead, por exemplo. Em março, a FEMA já havia repassado US$ 625 milhões às onze sedes só para segurança.
Do outro lado do balcão: bilheteria, transmissão, patrocínio, concessões, estacionamento. Tudo FIFA. A entidade registrou receita superior a US$ 15 bilhões no ciclo 2023-26, com orçamento operacional do torneio em torno de US$ 2,7 bilhões.
Os US$ 11 milhões que não saíram equivalem a 0,07% dessa receita. E eram justamente a parcela que ia para as comunidades que hospedaram o torneio.
Não é a primeira vez que essa linha do orçamento trava. Em abril de 2025, Gianni Infantino anunciou publicamente o mesmo US$ 1 milhão por cidade para as onze sedes do Mundial de Clubes. Em maio deste ano, o Philadelphia Inquirer apurou que só Miami tinha recebido alguma parte — as outras dez seguiam esperando. A FIFA disse ao jornal que os repasses vão sair, só estão demorando mais do que o combinado.
Enquanto isso, vários comitês organizadores americanos estão sendo dissolvidos. Se o dinheiro chegar, ainda não está claro quem assina o recibo.
No fim, a conta de um Mundial é sempre a mesma: o público banca a operação, a entidade fatura o espetáculo. Os US$ 11 milhões só tornaram isso visível. Nem eles ficaram escritos.