ESPORTE
A cera do goleiro agora vai custar um jogador — e não é o goleiro

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O futebol inglês recebeu aval da IFAB para testar, na temporada 2026-27, uma regra que muda quem paga a conta da cera. O anúncio saiu na segunda (27), em comunicado da Pro Ref replicado por FA e Premier League: quando o árbitro autorizar a entrada do departamento médico para atender o goleiro, o técnico precisa indicar ao quarto árbitro um jogador de linha, que deixa o campo e só volta um minuto depois do reinício. Segundo o relato da BBC, esse prazo de escolha é de 10 segundos — e, se o técnico não escolher, sai o capitão. O comunicado oficial não fixa prazo nem esse automatismo.
A espera de um minuto para o jogador de linha atendido também é recente: a IFAB aprovou a medida na assembleia de fevereiro de 2026 e ela estreou no Mundial. E vinha com uma brecha declarada — os goleiros estavam expressamente de fora. O teste inglês fecha um buraco aberto há quatro meses, com o detalhe que quase nenhum resumo conta: o goleiro fica no gol. Quem sai é um companheiro. O custo do atendimento deixa de ser individual e vira coletivo.
O comunicado da FA fixa três exceções: falta sofrida pelo goleiro com atendimento imediato, choque com um jogador de linha e goleiro sangrando. A cobertura secundária soma outras hipóteses — concussão, lesão grave que exija substituição e o goleiro que dispensa o atendimento, caso em que, segundo o Jogada10, a equipe não perde jogador.
O alcance vale para o masculino e o feminino: FA, Premier League, EFL, National League até o Step 2, Carabao Cup, FA Cup e Women's Super League. Fora do teste estão Champions League, LaLiga, Bundesliga, Serie A e Ligue 1. A estreia é neste sábado (1º), em Tranmere x Rochdale, pela Carabao Cup. Na Premier, 21 de agosto, Arsenal x Coventry.
No Brasil, a discussão anda por outra via. A CBF convocou para agosto — data ainda sem confirmação — uma reunião com os 40 clubes das Séries A e B para avaliar o pacote anticera testado no Mundial. Precedente já em vigor: desde a primeira rodada do Brasileirão de 2025, os 8 segundos com a bola nas mãos viram escanteio para o adversário.
Nem todo mundo comprou a ideia. O Goal registra objeções de stakeholders, entre elas o risco de jogadores esconderem lesões para não deixar o time em inferioridade. E sobra zona cinzenta para o árbitro: cãibra, queda sem contato, incômodo depois de uma defesa. A IFAB avalia o teste ao longo da temporada; adoção global, se vier, só a partir de 2027-28.
Você confiaria no seu técnico para escolher em 10 segundos?