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A Argentina não levou a Copa de 2026. Levou uma data

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O Comitê Executivo da AFA aprovou por unanimidade, nesta quarta-feira (5), o Dia das Seleções Nacionais de Futebol. A data fixada é 15 de julho — o dia da semifinal da Copa de 2026 contra a Inglaterra.
Foi um jogo de virada. Em Atlanta, a Inglaterra abriu o placar com Anthony Gordon no início do segundo tempo; a Argentina empatou com Enzo Fernández aos 40 do segundo tempo e fechou com Lautaro Martínez aos 91. 2 a 1. O comunicado da entidade fala em um time que fez "vibrar um país inteiro que inundou as ruas de festa".
Quatro dias depois, no MetLife Stadium, a Argentina perdeu a final para a Espanha por 1 a 0, gol de Ferran Torres na prorrogação. Esse dia não entrou no calendário.
E aqui vale reparar no mecanismo. Federação nenhuma é obrigada a comemorar a campanha inteira: escolhe qual partida vira memória institucional. A AFA elegeu o jogo mais emocionante em vez do mais decisivo. Daqui a dez anos, o calendário oficial vai lembrar de uma semifinal.
O alcance da medida também é maior do que o recorte que viralizou. A homenagem cobre todas as seleções argentinas — masculinas e femininas, categorias juvenis, futsal e futebol de areia. Nos posts em inglês que circularam nesta semana, sobrou só a linha "vitória sobre a Inglaterra".
Falta um dado no meio disso. A festa daquele 15 de julho está sob análise da FIFA. Em 29 de julho, a Comissão Disciplinar abriu processo contra a AFA e contra jogadores por episódios da semifinal e da final, citando vários artigos do Código Disciplinar — entre eles o de servir-se de um evento esportivo para manifestações de índole não esportiva. Naquele mesmo 15 de julho, depois do apito final em Atlanta, jogadores argentinos exibiram uma faixa com uma reivindicação de soberania sobre as ilhas Malvinas — Falklands, no Reino Unido. A imprensa argentina associou esse artigo à faixa; a FIFA não detalha. Não há resolução, e o comunicado da AFA não toca no assunto. Não é a primeira vez: em 2014, uma faixa parecida custou à AFA 30 mil francos suíços.
O primeiro 15 de julho como efeméride só chega em 2027. Até lá, fica o que a decisão já mostrou: quem escolhe a data escolhe a versão.